quinta-feira, 21 de abril de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Linhas cruzadas
"Gosto quando as linhas se cruzam umas nas outras e parece que não permitem passagem para mais lado nenhum. Aquelas imensas linhas de caminho de ferro cruzando-se uma nas outras sem percebermos para onde segue cada uma delas, mas deixando sair na direcção certa cada uma das composições, sem "nunca" se chocarem umas com as outras. O que aparentemente não tem saída, não tem escolha, não tem hipótese, sabe a fim e mostra impossibilidade, de repente, abre-se como uma novidade em milhares de novas possibilidades. Gosto quando todos dizem que não podemos fazer nada. Gosto quando todos dizem que chegámos ao fim. Gosto quando todos dizem que acabou. Gosto de desafiar este fim, no silêncio de um sorriso, confesso que muitas vezes maroto, um sorriso maroto, como que a querer dizer, sim, tendes razão, é o fim, nem eu sei o que pode estar para lá disto. Até eu creio que sim é o fim. Mas, no fundo, não creio. No fundo, sem saber, sei, como quem não sabe nada, é verdade, mas sei que não, não é o fim, não há impossibilidade, não há impedimento. Tudo está em aberto ali mesmo, onde tudo parece ter acabado. Gosto disto." Manecas
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Dá-lhe corda
"Não deixes que as palavras te diminuam nem que os gestos te empobreçam. Vigia sobre os teus pensamentos para que as nuvens não escureçam o teu caminho e a chuva pesada de Inverno não te arrefeça o ânimo. Não te eleves demasiado porque a passagem é baixa e podes perder as ideias mais generosas que acalentas dentro de ti. Levanta os pés para que as pedras não te façam tropeçar e caído não queiras levantar-te. Espera um pouco por quem vem mais atrás e terás companhia para o andar e alívio no cansaço. Abre o olhos e eleva o horizonte para que te alegres antes de chegar, ao ver a luz do novo sol que se levanta já para ti. Abre o coração e dá-lhe corda para que ame cada vez mais na intensidade da certeza que esperas e não deixes que ele se perca na velocidade da vida que acompanhas." Manecas
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Só...
Só as mãos que se estendem para a frente interessam.
Só os olhos que vêem para além do que se vê,
só o que vai para o que vem depois,
só o sacrifício por uma realidade que ainda não existe,
só o amor por qualquer coisa que ainda não se vê e ainda,
nem nunca, será nossa
interessa.
Só os olhos que vêem para além do que se vê,
só o que vai para o que vem depois,
só o sacrifício por uma realidade que ainda não existe,
só o amor por qualquer coisa que ainda não se vê e ainda,
nem nunca, será nossa
interessa.
Mário Dionísio
Lisboa, 1916-1995
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Estar perto
É tão fácil estar longe. Deixar andar, deixar correr, deixar o tempo passar e deixar a vida andar. Ficar para trás, encortar o passo, travar o andamento, chegar tarde, ficar longe. Amanhã. Agora não posso. Não tenho tempo. Não me apetece. Depois faço. Logo digo-te. Já lá vou. Se me apetecer apareço. Talvez te encontre. Se puder ajudo. Mil expressões que apenas querem dizer que estou longe. Estou longe de ti. Estou longe do que é importante. Estou longe da vida. Estou longe ... longe... longe.
É urgente ficar perto. Não deixar que as coisas superficiais, as banalidades, as futilidades, os adereços, as quinquilharias. Os alfinetes, os berlicoques, tomem conta da minha vida e se imponham tirando-me de ti, do que é importante, do que é vida e encontro. Estar perto. Estar sempre. Estar ...
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Tira as sandálias
Tira as sandálias, descalça-te, desce, destrona-te, prostra-te no pó desta terra que, por ser sagrada, tem o nome de Deus. Esta terra que desdenhas e recusas. Esta terra que te esmaga e dilacera. Esta terra de encontros e confrontos nem sempre desejados e nem sempre felizes. Esta terra de lágrimas e dor. Esta terra de sorrisos incertos e alegrias passageiras. Esta terra de palavra com mágoa e de mágoas sem palavras. Esta terra de esperas contínuas, entre luzes e sombras, nunca realizadas. Esta terra tem o nome de Deus, é sagrada. Tira as sandálias, descalça-te e prostra-te beijando o pó desta terra de Deus. Desce depressa desse trono de vaidades e deixa que os pés se entranhem no pó que és tu. Tira as sandálias para andar em ti, terra sagrada que Deus ama. Tira as sandálias e ama o pó que és e pisas como dádiva eterna. Levanta os olhos e vê o teu senhor que se levanta por cima dos montes e transforma a tua terra em terra de esperança. Esperança é o teu nome. Esperança é o teu espaço. Esperança é teu passado e teu futuro. Esperança és porque a terra que pisas é sagrada e tem o nome de Deus. Descalça as sandálias e prostra-te em ti amando essa terra sagrada.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
A insensatez
Às vezes dou comigo a reflectir em como é fácil perdermo-nos de nós mesmos e passarmos a ser o que não somos e pior ainda o que não queremos nem nunca quisemos ser. Como de facto o mistério da iniquidade humana é tão subtil e engenhoso que nos leva suavemente por onde não queremos e sabemos que é o caminho da nossa desgraça e de como o faz com tal sedução que acabamos por gostar de ser assim, não sendo nem o que devemos ser nem o que queremos ser. A hipnose provocada pela sedução da iniquidade é de tal ordem que nos apaga os sentidos e a consciência e nos faz perder a razão ao ponto de não aceitarmos que alguém nos dê alguma orientação contrária à sedução recebida. A parelesia cerebral e a cegueira do espírito é tão profunda que dificilmente damos conta da ausência de vida a que chegámos. A loucura é tão grande que nos rimos do bem e criticamos a verdade julgando-nos donos da sabedoria. Insensatez que nenhuma outra realidade nos faria passar a não ser a sedução da iniquidade que deixamos entrar em nós suavemente pela porta do "que mal tem?".
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
sábado, 10 de abril de 2010
Ser Feliz de Fernando Pessoa
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
(Fernando Pessoa)
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
(Fernando Pessoa)
domingo, 4 de abril de 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)






